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domingo, 22 de novembro de 2009





Cinema

Notícia Postada em 22/11/2009 - 17:42

Entre glórias e tragédias

Banco de Imagens
Desde 78, Roman Polanski não entra nos Estados Unidos. Na época, o cineasta, que tinha 44 anos, confessou ter mantido relações sexuais com uma garota de 13 anos. Segundo a vítima, Samantha Geimer, ele teria convidado-a para uma sessão de fotos onde teria acontecido a tentativa de estupro. Polanski declarou-se culpado no tribunal depois de um acordo com o juiz que retirou a acusação inicial de uso de drogas, perversão, sodomia e ato libidinoso. Passou 42 dias na cadeia até conseguir a liberdade condicional e fugir para a França onde foi protegido da extradição por ser cidadão franco-polonês.

Em setembro deste ano, porém, o cineasta foi preso novamente ao desembarcar na Suíça onde iria receber um prêmio pelo conjunto de sua obra no Festival de Cinema de Zurique. Caso seja condenado, poderá enfrentar dois anos de prisão em solo americano. De acordo com seu advogado Herve Temime, Polanski ainda poderá apresentar recurso contra a decisão junto à Corte Criminal Federal da Suíça.

Essa não foi a única polêmica envolvendo a vida pessoal do diretor, roteirista, produtor e ator. Em 69, sua mulher Sharon Tate, grávida de oito meses, foi brutalmente assassinada por integrantes da família Manson liderados pelo psicopata e guru espiritual Charles Manson. Ainda hoje, o crime é considerado um dos mais audaciosos e bárbaros da história norte-americana.

Em 2002, Polanski deu a “volta por cima” ao receber a Palma de Ouro do Festival de Cannes e três Oscar pelo filme O Pianista, inclusive o de melhor diretor. A película tem como pano de fundo a história real do músico polonês Wladyslaw Szpilman, preso nos campos de concentração da Polônia. O diretor trouxe para as telas um pouco de sua experiência na Segunda Guerra Mundial: sua mãe foi morta pelos nazistas e seu pai teve que fugir para não ter o mesmo destino. O resultado é um filme sensível, cruel e, ao mesmo tempo, grandioso.

Ao longo de 54 anos de carreira, Polanski trabalhou em 29 produções o que mostra que o cineasta de A Dança dos Vampiros (1967), O Bebê de Rosemary (1968) e Chinatown (1974) não se deixou intimidar pelas tragédias da vida; pelo contrário, tornou-se um dos nomes mais respeitados e premiados da indústria cinematográfica mundial.

Mesmo preso, Polanski pretende finalizar The Ghost (ainda sem título em português) a tempo de exibi-lo no Festival de Berlim no início de 2010. A película mostra a rotina de um ghostwriter – pessoa que escreve textos e livros que são assinados por outros. No elenco: Pierce Brosnan (007), Ewan McGregor (Molin Rouge) e Tilda Swinton (O Curioso Caso de Benjamim Button). Há expectativa que o filme se torne mais um clássico da sétima arte. Culpado ou inocente? A sentença pouco importa. O que os admiradores querem mesmo é ter o diretor de volta.   

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