Páginas

quinta-feira, 7 de maio de 2009

ARTIGO CIENTÍFICO

Faculdade Católica do Ceará
Pós-graduação em Telejornalismo

DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE OS VÍDEOS COLETIVO I e II [1]

José Eduardo Pinheiro Girão [2]
Faculdade Católica do Ceará
edujep@hotmail.com

Resumo: Os vídeos Coletivo I e II retratam o cotidiano dos passageiros, vendedores ambulantes, motoristas e cobradores da linha de ônibus Grande Circular, uma das mais populares de Fortaleza. As duas produções videográficas [3] são baseadas nos gêneros documentário cinema direto e reportagem. Apesar das narrativas serem distintas, os trabalhos são sobre o mesmo tema, têm praticamente as mesmas imagens, personagens e foram realizados com a mesma equipe num mesmo período; entretanto, foram decupados [4] e editados de forma que obedecessem a estilos diferentes. Um questionário, fundamentado num estudo de recepção de TV, foi dirigido aos alunos da Faculdade Católica do Ceará, para verificar se é possível distinguir um gênero do outro por meio das produções Coletivo I e II. Este artigo compara os vídeos levando em consideração o resultado da pesquisa qualitativa e associa as conclusões a outros estudos sobre o assunto.
Palavras-chave: Documentário - Cinema Direto, Reportagem.


1. INTRODUÇÃO

Este artigo é sobre as caracteristicas específicas dos vídeos Coletivo I e II[5], o ponto de aproximação e distanciamento entre os modelos documentário cinema direto e reportagem, já que os dois trabalhos foram fundamentados nesses gêneros.
O vídeo I tem características de um documentário com influência do cinema direto[6] ou cinema verdade, “género cinematográfico que utiliza o som direto e sincrônico e o contato direto e autêntico com a realidade, conciliando filmagens planejadas com improvisação e interpretação de um tema.” (HLEBAROVA, 1999, p. 5). O vídeo II foi planejado para ser uma reportagem padrão off-passagem[7]-sonora com elementos jornalísticos, como atualidade e clareza dos fatos.
Tanto um quanto o outro possuem características e formas particulares de atender/atingir o público. Para entender melhor quais os fatores que interferem nos dois formatos foi necessário esmiuçar e analisar os processos de confecção de cada um.
De la Rue (2006, p. 185) entende que:

“Os documentários nasceram de realizadores de cinema, e não de jornalistas; por isso, há uma diferença grande no enfoque destas produções. Os documentaristas têm um compromisso com a verdade, mas uma verdade que está, muitas vezes, subjacente aos fatos, que não depende tanto de uma realidade factual para poder existir. (...) “Já a reportagem é um produto um tanto indefinido com características cruzadas de vários campos do conhecimento”.

Durante a pré-produção/gravação/edição, alguns critérios foram estabelecidos/seguidos para diferenciar um trabalho do outro. Uma pesquisa qualitativa[8] foi realizada para verificar se os vídeos conseguem transmitir os valores específicos de cada gênero. A pesquisa leva em consideração o ponto de vista da audiência em relação a diversos aspectos: estética audiovisual[9] (planos, ângulos, movimentos de câmera), plasticidade (qualidade da imagem e do som), texto[10], edição, recursos de linguagem, sonoras, tempo de duração e roteiro.
Os gêneros documentário e reportagem retratam mais que histórias vividas por pessoas que testemunham fatos correlacionados entre si, são estilos complexos que vão além dos conceitos, das regras e normas propostas por estudiosos e profissionais da área. Este artigo compara as produções Coletivo I e II levando em consideração o resultado da pesquisa qualitativa e associa as conclusões do estudo a outros textos científicos[11] sobre o mesmo tema.

2. RESULTADO DA PESQUISA QUALITATIVA[12] (gráficos em anexo)

O telespectador brasileiro está acostumado com a diversidade dos programas televisivos: 90% dos lares têm um aparelho de TV e o Ibope[13] costuma registrar alto índice de audiência, principalmente, no horário nobre[14]. Quando se trata dos alunos de comunicação social, essa familiaridade se torna ainda maior. Geralmente, são habituados a lidar com questões que envolvem as narrativas audiovisuais. Talvez, por isso, as respostas da pesquisa sobre os vídeos Coletivo I e II são tão reveladoras - esclarecem se/como a audiência, representada pelos estudantes de publicidade, compreende as diferenças entre os gêneros documentário cinema direto e reportagem.
A primeira pergunta é sobre o tempo[15] de duração de cada obra. Setenta e oito por cento dos alunos responderam que o vídeo I (baseado no Cinema Direto) tem a maior duração. E é verdade já que tem dezesseis minutos e trinta e cinco segundos, nove minutos e vinte e um segundos a mais que o vídeo II (inspirado numa reportagem). Mas, dezesseis por cento acham que o vídeo II é mais longo, mesmo não o sendo do ponto de vista técnico. Eles sustentam a idéia de que quanto menor o interesse do expectador por um produto audiovisual mais entediante e, conseqüentemente, extenso o vídeo parece ser.
Um dos alunos lembra que o fato de ter assistido a um produto antes do outro pode ter influenciado na resposta. Para ele, um filme longo causa a impressão de demora, cansaço, desconforto e letargia. Dos 37 entrevistados, 64% falaram que o vídeo I é mais divertido que o vídeo II. Trinta por cento disseram que nenhuma das produções é tediosa porque o assunto gera curiosidade e interesse.
Os estudantes observam ainda que o vídeo I possibilita ao espectador mais reflexão sobre o objeto de estudo. Boa parte acredita que o documentário precisa ser mais demorado que a reportagem para poder contextualizar melhor o assunto. Alguns autores discordam: “Um gênero se diferencia do outro pela estética, linguagem e narrativa audiovisual, não pela quantidade de minutos”.
Quando se trata de informação, o vídeo II teve vantagem[16]. Sessenta e dois por cento o apontam como objetivo, claro, transparente, atual e direto. Para a maioria, a informação está veiculada a estatísticas, dados, números, leitura e presença do repórter. Por outro lado, 27% acham que o vídeo I renova a linguagem audiovisual utilizada pelos meios de comunicação em massa. Um dos participantes lembra que a notícia pode estar nas entrelinhas, nos gestos, olhares e falas dos personagens. Para esse aluno, “a informação tem várias maneiras de ser transmitida e compreendida. Para isso, a audiência precisa ser estimulada a outras narrativas[17]”.
A pesquisa também apontou o vídeo II como o mais objetivo. Quase todos os alunos (81%) encontram nele propriedades de uma matéria jornalística. Porém, ao serem questionados sobre qual expressa melhor a realidade, boa parte (43%) optou pelo vídeo I. Esse grupo o preferiu por ter lhe dado maior liberdade de reflexão[18]. Alguns (10%) comentaram que a objetividade do vídeo II gera mais dúvidas que esclarecimentos. Quase 49% disseram que os dois trabalhos são factuais[19] porque mostram o cotidiano do Grande Circular.
Segundo os alunos, tanto o vídeo I (56%) quanto o vídeo II (72%) possuem vários conflitos: medo dos assaltos, stress do trânsito, desrespeito aos direitos da melhor idade, preconceito contra os vendedores ambulantes e assédio sexual. No entanto, eles perceberam que não há uma tentativa de resolver os conflitos propostos pelas produções e que a quantidade de assuntos abordados atrapalha as narrativas, principalmente, o surgimento do clímax[20]: “O erro pode estar no excesso de depoimento, na elaboração do roteiro ou na forma que o assunto foi retratado”.
A maior parte dos alunos escolheu o Grande Circular como o personagem principal, seguido do tatuador, cobrador, vendedor ambulante, motorista e passageiros. Dezoito por cento citaram que os usuários são retratados de forma superficial em comparação a ênfase dada às dificuldades enfrentadas pelos mesmos. Os estudantes perceberam que há uma tentativa de transformar o tatuador[21] no personagem mais importante do vídeo I. Dos que optaram pelo vídeo II (21%), o repórter não é tido como mero coadjuvante. O resultado aponta a figura dele (73%) e do realizador (56%) como fundamental para as produções.
A edição foi outro tópico discutido durante a pesquisa. Cinqüenta e seis por cento notaram que o vídeo II utiliza mais recursos da ilha de edição que o vídeo I (21%) e que apresenta a maior quantidade de cortes nas imagens (65%) e sonoras (59%). Muitos apontam também falhas na qualidade das imagens (43%) e do som (27%) de ambos. Criticam os ruídos (vozes dos passageiros, barulho do motor do ônibus e do trânsito) e o enquadramento das cenas (tremor das imagens devido à trepidação do veículo); segundo os alunos, esses problemas atrapalham a compreensão das obras.
Sessenta e dois por cento declararam que o vídeo II tem mais qualidade técnica o que facilitaria ser exibido por uma emissora de televisão. Somente 13% dos alunos observaram no vídeo I uma preocupação em atingir a audiência. Eles acreditam que o estilo dele se encaixaria melhor num circuito alternativo de exibição, por exemplo, num festival de cinema e vídeo. Entretanto, boa parte dos estudantes afirma que, dependendo do posicionamento do noticiário, o vídeo I tem conteúdo e qualidade para ser transmitido também por um telejornal.
A pesquisa prova que o público está mais aberto a outras formas de linguagem audiovisual e compreende as diferenças de um gênero do outro. Ficou claro para os alunos (mais de 80%) que o vídeo I é um documentário e o II, uma reportagem. Somente 13% disseram o contrário. Ainda segundo o estudo, não existe um modelo ideal. O importante é saber diferenciar e unir[22], quando necessário, o melhor das características dos dois estilos. Para os estudantes, o gênero adotado é o que menos importa, o resultado final tem que “surpreender[23]”, além de informar, entreter, ser criativo, objetivo, dinâmico, ter qualidade técnica, bom enredo, conflitos significativos e personagens marcantes. As opiniões são relevantes, esquentam a discussão e ajudam a definir o propósito desse artigo que é examinar os vídeos Coletivo I e II.

3. ANÁLISE DOS VÍDEOS COLETIVO I e II[24]

O assunto escolhido interessa a um universo de pessoas muito maior que se pode imaginar[25]. É nítida a importância do Grande Circular I e II na vida dos fortalezenses; a linha liga a cidade de um lado ao outro num percurso que ultrapassa 60 quilômetros. As estatísticas comprovam que é o transporte mais popular da capital cearense. Difícil conseguir superá-lo na quantidade de passageiros e de bairros atendidos. Gente de diversos lugares utiliza o serviço para ir ao trabalho, ao lazer e à escola. A linha, além de atender o maior número de passageiros, passa por quatro dos sete terminais metropolitanos[26].
Mas o Grande Circular tem vários problemas de infra-estrutura. A população reclama que não é atendida como deveria. Exige mais policiamento, conforto e pontualidade para a linha. Essas e outras questões são colocadas de forma diferente nos vídeos I e II, principalmente, no roteiro, edição e finalização, reforçando assim as características específicas dos gêneros documentário cinema direto e reportagem.
Uma das peculiaridades do vídeo I é a não utilização do som off [27]. A figura do repórter em frente à câmera é dispensada para que os próprios passageiros conduzam a história. Os assuntos discutidos são intercalados por imagens que revelam expressões, atitudes e gestos dos usuários. Um dos personagens marcantes é o estudante de Educação Física[28], Carlos Alexandre, que costuma meditar sobre a vida enquanto observa paisagens pela janela do ônibus.
Já no vídeo II, o ritmo é o da televisão, não há espaço para entrevistas mais densas. As cenas e sonoras escolhidas são as que dão sentido e facilitam a compreensão da obra. A duração dos planos é menor. Os depoimentos são enxutos, complementam e reforçam a fala do repórter. O texto é também mais condensado, apesar dos 7 minutos de duração[29], e apresenta informações precisas sobre o Grande Circular.
Em ambos, os entrevistados são convocados a dar testemunhos dos acontecimentos, conferindo credibilidade as produções. “O cidadão comum autêntica a cobertura noticiosa, dando veracidade aos assuntos”. (GOMES, 2006). Os atores sociais anônimos e populares são componentes sem os quais os vídeos perderiam a veracidade.
Emerim (2006, p. 158) entende que:

“O primeiro grupo é formado por pessoas comuns que a equipe encontra pelas ruas durante a realização das externas; o segundo é composto por pessoas reconhecidas num universo restrito, qual seja uma cidade, um bairro ou uma comunidade.”[30]

3.1 NARRATIVA

Baseado no cinema direto, a estrutura narrativa do vídeo I se traduz respectivamente em introdução, desenvolvimento e desfecho dos fatos. Apesar da base bem definida, Coletivo I peca num dos ingredientes mais importantes para um produto audiovisual: o clímax. Não há um momento de tensão máximo ou cena específica que possa defini-lo. Percebe-se uma tentativa sutil durante as sonoras que falam sobre assédio sexual[31] e discriminação[32].

Resumo do roteiro[33] do vídeo Coletivo I:

“O vídeo é introduzido com imagens de dentro/fora do ônibus: gente em pé, sentada, prédios, favelas e trânsito, etc. Antes de chegar a um dos terminais, o cobrador fala sobre sua profissão. Enquanto isso, cenas de pessoas apressadas, trabalhando, lanchando e esperando a condução são mostradas no terminal. Quando o Grande Circular chega à parada, os passageiros se espremem em busca de um lugar. O motorista fala do stress e logo recomeça a viagem de quase 3 horas. Durante o percurso, os usuários contam histórias vividas por eles. Jean é um dos personagens. O tatuador pega todo dia o Grande Circular para ir ao trabalho. As imagens e sonoras dele são intercaladas na narrativa.” (ANEXO).

O vídeo I falha também por não tentar encontrar uma saída para os problemas. São raras as ocasiões em que os conflitos são contrapostos uns aos outros[34]. O mesmo acontece no vídeo II, sobretudo com a diretora-técnica da Etufor, Kalina Barros[35], pouco questionada sobre a precariedade do serviço do transporte público.
Trechos da matéria Coletivo II:

#OFF
Da janela, é possível observar o crescimento desordenado da quarta maior cidade brasileira em número de habitantes, ao mesmo tempo em que paisagens e pontos turísticos enchem os olhos. / As amigas Mara, Virgínia e Rosângela saíram do Rio de Janeiro prontas para a aventura. / Cada uma pagou R$1,60 para descobrir além do que as agências de viagem costumam mostrar. / O pacote inclui a ponte do Rio Ceará, o Centro Cultural Dragão do Mar, a Lagoa de Messejana e uma experiência inesquecível. // (ANEXO)

O vídeo II é uma matéria de TV que tem compromisso com a atualidade. Pelo fato de ser uma reportagem, está mais preso à estética jornalística. O repórter aparece três vezes em cena pontuando os principais fatos sobre o assunto. Ele é responsável também em narrar os acontecimentos dando vida aos personagens.
Juntos, os vídeos funcionam como canais de conhecimento e atualização. Apesar das diferenças, os dois são semelhantes, sobretudo na idéia original, pesquisa de campo, captação de recursos e produção.

3.2 ESTÉTICA AUDIOVISUAL

Coletivo I e II têm praticamente os mesmos planos - Gerais, Médios, Conjunto e Closes. A escolha deles está relacionada com as condições de gravação – câmera na mão, curta focal, não utilização de zoom, momentos de improvisação, cenas internas ou externas, mesmo período de gravação – e não pelas diferenças dos gêneros.
Nota-se que, com raras excessões, a seqüência das cenas vai do maior plano para o menor, prevalecendo o recorte mais fechado[36]. O Close e Primeiro Plano são usados tanto para passar a idéia de intimidade, de dramaticidade - indicada nos livros sobre cinema – como também por razões ligadas à própria produção e realização das obras (sendo o mesmo válido para movimentos de câmera, angulações, etc.).
Em Coletivo I e II, o contato realizador-repórter/personagem é valorizado nas entrevistas. Mesmo com inserts[37], os planos de maior duração são os dos depoimentos. O zoom é pouco explorado fazendo com que os entrevistados tenham consciência que estão sendo gravados. Os personagens são induzidos para não falarem diretamente à câmera para não perderem a naturalidade das falas e dos gestos. Enquanto se expressam, algumas imagens estáticas e de movimento se interpõem, dando ritmo às sonoras.
A plasticidade das obras traz reflexões separadas. O tremor das imagens e os ruídos do som, ao invés de prejudicarem o vídeo I, o favorecem. Essas características reforçam sua proposta realista, autenticando o gênero cinema direto. Os defeitos passam a ser vistos como qualidades. Por outro lado, o resultado não é o mesmo no vídeo II. A câmera na mão[38] desvia a atenção do espectador e a informação deixa de ser o foco principal do trabalho.
A câmera subjetiva[39] é mais um recurso utilizado nos vídeos. Ela aproxima o espectador daquilo que está sendo mostrado. Em alguns momentos, é possível se ver na tela, se identificar e se comover com os problemas dos passageiros. “O sujeito espia a intimidade do outro pelo viés da tela, enquanto seu corpo inerte se projeta imaginariamente na intriga e passa a vivenciar o filme como se fosse o seu sujeito da visão que aquele lhe oferece”. (MACHADO, 1997).
O interesse e a curiosidade do público são despertados e mantidos com imagens que traduzem a rotina do Grande Circular. Imagens que poderiam ter ido além de cenas estereotipadas típicas do cotidiano. Poderiam ter sido mais bem trabalhadas se tivessem capturado outros detalhes menos explorados pela mídia.

3.3 EDIÇÃO

Em Coletivo I e II, A edição[40] demonstra ser tão importante quanto à captação de imagens e som. Nas duas produções, os recursos da ilha são empregados com bom senso e ética. Os editores evitam o excesso de efeitos especiais (com exceção dos inserts, caracteres e fades[41]) e também de manipular imagens e falsear entrevistas. O que nem sempre é fácil porque tais vantagens seduzem, seja por simples encantamento (influência clara da TV), seja para resolver problemas técnicos e até mesmo da narrativa.
Algumas cenas monótonas - como um plano seqüência, um depoimento mais longo - são resolvidas através da utilização de inserts e do fade. Mesmo assim, os vídeos mantêm o cuidado de empregar com reflexão as facilidades oferecidas pelos equipamentos da ilha - sem esquecer que os efeitos especiais também são necessários para se contar uma história.
Na maioria das vezes, Coletivo I e II censuram o excesso de recursos óticos com receio que eles poluam visualmente as narrativas. Mas a falta deles também as prejudica. Outras possibilidades da ilha poderiam ter sido utilizadas em benefício das obras. A trilha sonora poderia ter sido mais bem aproveitada. Ela só aparece em dois momentos: apresentação e desfecho. As músicas populares, tocadas nas rádios dos ônibus, poderiam ter servido como mais um recurso para prender a atenção do espectador.
Em geral, as edições de Coletivo I e II são distintas uma da outra. O vídeo I mantém o som ambiente[42] das cenas, conservando os ruídos dos locais de gravação. Ele é propositalmente mal acabado, exibe inclusive os suspiros, tosses e gaguejos dos personagens. O II, ao contrário, é mais conciso e coloca a informação em primeiro lugar. Nele, o supérfluo das falas é retirado. Ambos apresentam mínimos-cortes-bruscos em suas estruturas.
O sucesso de um produto audiovisual depende da maneira que ele é realizado. Todos os passos precisam ser cumpridos: da pesquisa de campo à pós-produção. O realizador/repórter deve ter consciência que o trabalho de edição começa antes da chegada do material na ilha. Precisa ter isso em mente quando decide a forma de conduzir a narrativa. Um roteiro bem elaborado facilita o processo ajudando a superar os imprevistos. Segundo DUARTE (2006), “a construção do real depende do que fica enquadrado, do movimento das câmeras, do trabalho de edição e da sonoplastia.”

4. CONCLUSÃO

Qual a linha de fronteira entre os gêneros documentário cinema direto e reportagem? Enquanto esse último busca ser objetivo, o primeiro carrega em si o ponto de vista do diretor. Essa resposta à primeira vista parece ser adequada, mas simplifica a complexidade da pergunta. Mesmo entre os especialistas do assunto não é fácil definir as particularidades dos dois gêneros. A falta de um senso comum entre os estudiosos revela que ainda há muito que se estudar sobre o tema.
Entretanto, nesse artigo, percebeu-se que a complexidade do objeto de estudo não constituiu um problema aos estudantes de Comunicação Social da Faculdade Católica do Ceará que participaram da pesquisa. Eles conseguiram reconhecer a maior parte das características que diferencia os gêneros entre si; ou seja, apontaram uma série de diferenças quanto ao tratamento dado a cada um. Na reportagem, perceberam, por exemplo, que o repórter utilizou estratégias como números e índices na tentativa de persuadir o público de que as informações relatadas tinham credibilidade. No entanto, se enganaram ao sustentar que o tempo de duração do Vídeo I seria mais longo por se tratar de um documentário.
A pesquisa também revelou que o caráter autoral do vídeo I possibilita mais liberdade com a questão do tempo e da subjetividade, em contraponto com o vídeo II em que o jornalista teve que buscar a imparcialidade e neutralidade. “Ele não pode opinar, tomar partido, se expor, deixando claro para o espectador qual o ponto de vista que defende. Sob pena do repórter ser considerado tendencioso e, em última instância, de manipular a notícia” (DE MELO, 2001). Ao contrário do que ocorre com os demais gêneros jornalísticos, no documentário, a parcialidade é aceita. Com essa ressalva é possível afirmar que o vídeo I pertence ao gênero documentário, pois é um marcado pelo “olhar” do diretor sobre a obra.
De Melo (2001, p. 09) explica que:

“Geralmente, o documentarista busca ouvir a opinião de várias pessoas sobre determinado acontecimento ou personalidade, seja para confirmar uma tese (caso, por exemplo, dos documentários biográficos), seja para confrontar opiniões (caso dos documentários sobre conflitos urbanos, sociais, raciais, religiosos etc.). No entanto, apesar de apresentar um emaranhado de vozes, que muitas vezes se opõem e se contradizem uma voz tende a predominar: aquela que traz em si o ponto de vista do autor”.

Os alunos entenderam ainda que os depoimentos certificam a “verdade” em ambos os trabalhos. Só que o vídeo II tem a presença de um narrador (repórter); enquanto que o vídeo I, os próprios entrevistados conduzem a narrativa. (GOMES, 2006) lembra que o cidadão comum só aparece na TV quando é afetado pelas notícias; quando ele próprio se transforma em notícia; ou quando autêntica a cobertura noticiosa. Em Coletivo I e II, a realidade foi construída por um discurso fragmentado buscando sempre a referência das fontes populares. Sem elas, as produções perderiam muito seu valor.
Um outro tema discutido foi a possível convergência entre Coletivo I e II. Hoje em dia é praticamente impossível não encontrar propriedades cruzadas entre reportagens e documentários. Ao contrário que se possa pensar, essa tendência utilizada com bom senso é bem vinda pelos meios de comunicação. Mas para alguns autores, a convergência tanto pode representar um avanço quanto um atraso na produção audiovisual. “A qualidade pode estar na técnica, na forma com que se exploram os recursos de linguagem, na sensibilidade em detectar as demandas da audiência, nos aspectos pedagógicos e nos valores morais”. (GOMES, 2006, p. 107). Complementando: o resultado do produto é mais importante que o gênero escolhido.
Os estudantes concluíram que cada vídeo possui características próprias que se convergem em determinado momento: seja pela maneira de manusear a câmera ou semelhança das imagens. Eles perceberam que o hibridismo possibilita o ressurgimento de outras linguagens audiovisuais. E que o crescimento nas vendas das câmeras digitais pode ser um dos fatores responsáveis pelo fortalecimento desse conceito, já que permite novas experimentações a baixo custo. Um dos alunos destacou que “a democratização da tecnologia pode ser a saída para a falta de criatividade dos cineastas, das redações”.
O mercado se familiariza, aproveita e explora as diversas formas de narrativa, sobretudo devido à popularização dos aparelhos digitais, capazes de impulsionar e facilitar a criação e confecção de novas linguagens e produtos audiovisuais. Apesar das vantagens, algumas regras devem ser respeitadas para se evitar erros típicos dos iniciantes. Durante a exibição dos vídeos I e II, os alunos notaram falhas em algumas cenas, imagens e sons, etc. Segundo eles, parte dos problemas técnicos e de narrativa poderia ter sido evitada se a equipe tivesse levado em consideração elementos como “tensão, plasticidade e atualidade” (introduzidos em doses que obedecessem ao estilo de cada trabalho). “A tensão tem o objetivo de manter o espectador atento; A plasticidade se refere à qualidade das imagens e do som; e a atualidade é essencial para o jornalismo”. (CURADO, 2006, p. 200).
Para esta pesquisa foi desenvolvida a revisão das referências bibliográficas utilizadas durante o curso de Pós-Graduação em Telejornalismo (Arlindo Machado, Olga Curado, Alfredo Viseu, Elizabeth Bastos Duarte, Maria Lília Dias de Castro, entre outras) e analisados artigos científicos elaborados por pesquisadores que trabalham com as principais conclusões sobre as especificidades do gênero documentário e reportagem dos quais são referência (Saulo de la Rue, Lucia Santa Cruz, Vanda Viveiros de Castro, Cristina Teixeira de Melo, Isaltina Mello Gomes, Wilma Morais, entre outros). A reflexão girou em torno de temas como a importância das fontes (atores sociais, anônimos e populares), as regras do bom jornalismo, o som direto, a estética audiovisual e os recursos de linguagem. É bom lembrar que algumas questões ganharam maior enfoque que outras.

5. REFERENCIAL TEÓRICO

CHION, Michel. La toile trouée: La parole mau cinema. Paris: L’Étoile, 1988.
____ . L’audio-vision. Paris: Nathan, 1990;

CRUZ, Lucia Santa. Heróis na janela. Revista da Associação Nacional dos
Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Compôs. Agosto, 2007;

CURADO, Olga. A Notícia na TV: O dia-a-dia de quem faz jornalismo. São Paulo:
Alegro, 2006;

De CASTRO, Vanda Viveiros. Reportagem. In Elizabeth Bastos Duarte & Maria Lília
Dias de Castro (Orgs.) Televisão: entre o Mercado e a Academia Porto Alegre:
Ed. Sulina, 2006;

De la Rue, Saulo. A Grande Reportagem entre o Mercado e a Academia. In Elizabeth
Bastos Duarte & Maria Lília Dias de Castro (Orgs.) Televisão: Entre o Mercado
e a Academia Porto Alegre: Ed. Sulina, 2006;

De MELO, Cristina Teixeira, GOMES, Isaltina Mello e MORAIS, Wilma. O
Documentário Jornalístico, Gênero Essencialmente Autoral. INTERCOM –
Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXIV Congresso Brasileiro da Comunicação – Campo Grande /MS – setembro
2001;

DUARTE Elizabeth Bastos. Reflexões sobre os Gêneros e Formatos televisivos. In
Elizabeth Bastos Duarte & Maria Lília Dias de Castro (Orgs.) Televisão: entre o
Mercado e a Academia Porto Alegre: Ed. Sulina, 2006;

EMERIM, Cárlida. Informação Televisiva: Entrevista. In Elizabeth Bastos Duarte &
Maria Lília Dias de Castro (Orgs.) Televisão: entre o Mercado e a Academia
Porto Alegre: Ed. Sulina, 2006;

GOMES, Itania Maria Mota. Das utilidades do conceito de modo de endereçamento
para análise do telejornalismo. In Elizabeth Bastos Duarte & Maria Lília Dias
de Castro (Orgs.) Televisão: entre o mercado e a academia. Porto
Alegre: Ed. Sulina, 2006;

GOMES, Itania Maria Mota. Questões de método na análise do telejornalismo:
premissas, conceitos, operadores de análise. Artigo apresentado em encontro
do Centre d'Etudes des Images et des Sons Médiatiques/CEISME, Université
Sorbonne-Nouvelle, em 05 de abril de 2007;



GOMES, Itania Maria Mota. Telejornalismo de qualidade Pressupostos teórico
metodológicos para análise. Artigo apresentado ao Grupo de Trabalho Estudos
de Jornalismo, do XV Encontro da Compós, na Unesp, Bauru, SP, em junho de
2006;

HLEBAROVA, Vânia Barbosa Perazzo e GIRÃO José Eduardo Pinheiro.
Audiovisual e Linguagem: Comparação entre as produções em Super-8 e
vídeo dos Estágios do Nudoc (Núcleo de Documentação Cinematográfica da
Universidade Federal da Paraíba). João Pessoa – Paraíba, 1997/1999.
Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica/PIBIC da Pró-Reitoria de
Pós-Graduação e Pesquisa;

JACKS, Nilda. Recepção televisiva: o que dizem as pesquisas acadêmicas na década de
1990? In Elizabeth Bastos Duarte & Maria Lília Dias de Castro (Orgs.)
Televisão: entre o mercado e a academia Porto Alegre: Ed. Sulina, 2006;

MACHADO, Arlindo. Pré-cinemas & pós-cinemas – Campinas, SP: Papirus,
1997. – (Coleção Campo Imagético);

MARTINS, Nísia. Informação na Tevê: a Estética do Espetáculo. In Elizabeth Bastos
Duarte & Maria Lília Dias de Castro (Orgs.) Televisão: entre o mercado e a
academia Porto Alegre: Ed. Sulina, 2006;

RAHDE, Maria Beatriz Furtado e CAUDURO, Flávio Vinicius. Imagens e
Imaginários: do moderno ao pós-moderno. Trabalho realizado durante o
Projeto Universal Algumas Características das Imagens
Contemporânea, na etapa 2005-2007;

RAMOS, Fernão Pessoa. O que é Documentário? In Ramos, Fernão Pessoa e Catani,
Afrânio (orgs.), Estudos de Cinema SOCINE 2000, Porto Alegre, Editora Sulina,
2001, pp. 192/207;

ROSSINI, Mirian de Souza. O Gênero Documentário no Cinema e na Tevê. In
Elizabeth Bastos Duarte & Maria Lília Dias de Castro (Orgs.) Televisão: entre o
Mercado e a Academia Porto Alegre: Ed. Sulina, 2006;

SOARES, Thiago. Videoclipe, o Elogio da Desarmonia: Hibridismo,
Transtemporalidade e Neobarroco em Espaços de Negociação. Trabalho apresentado
ao NP 07 – Comunicação Audiovisual, do IV Encontro dos Núcleos de Pesquisa da
Intercom;

SULZBACH, Liliana. Breve Relato sobre o Documentário Segundo Kabel Reisz. In
Elizabeth Bastos Duarte & Maria Lília Dias de Castro (Orgs.) Televisão: entre o
Mercado e a Academia Porto Alegre: Ed. Sulina, 2006;

VIZEU, Alfredo er. al (orgs.) Telejornalismo: a nova praça pública, Florianópolis,
Insultar, 2006;

VIZEU, Alfredo (org). A sociedade do telejornalismo. Vozes, 2008 no (preto).

[1] Os vídeos foram realizados, entre os dias 4 e 7 de março de 2008, das 8 às 11 horas da manhã, para as disciplinas Linguagem de TV e Vídeo e Reportagens de TV, ministradas respectivamente pelos professores Glauber Filho e Moacir Maia, para o curso de pós-graduação em Telejornalismo da Faculdade Católica do Ceará;
[2] Jornalista graduado pela Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal da Paraíba - UFPB; aluno da pós-graduação em telejornalismo da Faculdade Católica do Ceará; repórter freelancer;
[3]A produção contou com o apoio da Prefeitura de Fortaleza que emprestou a câmera de vídeo; da Faculdade Católica que cedeu a ilha de edição; dos editores de imagem Tiago Nascimento, Francisco Martins e Marco Rudolf e do cinegrafista Henrique Leão; O custo dos vídeos foi de R$ 400,00, entre aluguel de carro e compra de fitas cassete;
[4] A palavra vem do francês: découpage (ação de dividir em pedaços, fragmentar).
[5] Os vídeos podem ser vistos na página do youtube:
Coletivo I (Documentário - Parte I - http://www.youtube.com/watch?v=rAAcrxMCsO4 );
Coletivo I (Documentário - Parte II - http://www.youtube.com/watch?v=gCrQRQI97VQ);
Coletivo II (Reportagem - http://www.youtube.com/watch?v=CZEuSaN4cco);
[6] Documentários baseados no Cinema Direto ainda são pouco produzidos e veiculados pelas emissoras brasileiras. Atualmente, o programa Profissão Repórter, comandado pelo jornalista Caco Barcellos da Rede Globo, resgata algumas características do gênero. Nesse caso, a pauta é cumprida por jornalistas recém-formados que exercem, muitas vezes, a função de câmera e entrevistador simultaneamente. O material gravado é cuidadosamente decupado e editado levando em consideração o ritmo televisivo. Sem dúvida, duas das principais diferenças entre as antigas e novas produções inspiradas no gênero cinema verdade são a edição e captação das imagens e áudio. Naquela época, os realizadores utilizavam cortes mínimos durante a filmagem ou montagem do filme, na tentativa de apreender o máximo da realidade de cada cena ou pela falta de recursos da câmera em captar o som ambiente;
[7] Momento em que o repórter aparece no vídeo para mencionar algum dado importante ou fazer algum comentário sobre o que está sendo reportado;
[8]A pesquisa foi feita com questionários pré-elaborados que admitiam respostas alternativas. Os resultados foram apresentados de modo numérico, permitindo uma avaliação quantitativa dos dados; A investigação, inspirada em estudos de recepção de TV, teve 27 perguntas abertas e fechadas (anexo); Trinta e sete alunos das disciplinas Produção para TV, Linguagem Audiovisual e Introdução a Publicidade e Propaganda, da Faculdade Católica do Ceará, participaram da investigação. A escolha deles foi mera casualidade: todos estudam na instituição onde o projeto foi desenvolvido;
[9]O plano do ponto de vista estético é resultado da distância da câmera ao elemento filmado/gravado e da focal utilizada. A terminologia de classificação dos planos varia de um cineasta ou autor para outro. No presente trabalho, adotou-se a seguinte terminologia:
Plano Geral (PG) – ambiente na sua totalidade (paisagens); Plano de Conjunto (PC) – ambiente com mais detalhes; Plano Médio (PM) – personagem enquadrado da cabeça aos pés; Plano Americano (PA) – personagem enquadrado a partir da coxa; Primeiro Plano (PP) – personagem enquadrado a partir da cintura; Close (C) - personagem enquadrado a partir dos ombros ou só o rosto e enquadramento de um objeto na sua totalidade; Big Close (BC) – enquadramento do rosto cortando a testa e/ou o queixo; Plano de Detalhe (PD) – enquadramento de um detalhe de um personagem ou objeto.
[10] Neste trabalho, entendemos como texto tudo que cerca a matéria jornalística: desde a parte escrita até a música, passando pelas imagens, pelos sons, entre outros;
[11] Os artigos foram selecionados no site da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós) e da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom);
[12] O pesquisador reconhece que a pesquisa é importante como exercício acadêmico; mas, para ter valor científico, deve ser aprofundada inclusive em outros segmentos da sociedade;
[13]Ibope - Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística;
[14] Segundo o Ibope, o horário nobre na TV brasileira começa às 18h e termina à meia-noite;
[15] A percepção da passagem de tempo é diferente para cada um de nós; por isso, a escolha da pergunta.
[16] Especialmente este resultado pode ter sido influenciado pelo hábito de assistir a reportagens na TV;
[17]Atualmente, mesmo de forma tímida, se percebe um maior interesse das emissoras em produzir reportagens fugindo do padrão convencional;
[18] Os dois trabalhos tiveram interferência criativa de toda a equipe - realizador, editor, câmera -, desde a escolha dos personagens, sonoras, ângulos, etc.;
[19] Para ser factual o vídeo precisa ser baseado em fatos.
[20]Climax é o momento culminante da narrativa, o ponto de referência que justifica todo o desenvolvimento do enredo e que funciona como causa para a solução do conflito principal;
[21] Esse personagem aparece no início, meio e fim do vídeo I costurando a narrativa. A idéia era transformá-lo no personagem principal. Para que o objetivo fosse cumprido, ele precisava ser espontâneo e ter uma história interessante para contar. Para muitos alunos, a tentativa não funcionou.
[22] 5.4% perceberam características hibridas no vídeo I; e 2.7%, no vídeo II; Segundo dicionário Larousse, o hibridismo acontece quando existe uma mistura de duas espécies ou gêneros;
[23]Hoje em dia, não é nada fácil ser original, apesar do extenso material (bibliográfico, videográfico e cinematográfico) disponível no mercado aos profissionais da área. A indústria cultural cobra originalidade, criatividade e lucro das equipes de filmagem/gravação;
[24]A tentativa de permanecer imparcial durante a análise dos vídeos foi constante; A pesquisa qualitativa trouxe mais segurança ao propósito;
[25]A linha Grande Circular I e II atende a mais de 50 mil usuários por dia e passa pelos terminais do Antônio Bezerra, Papicu, Siqueira e Messejana e por 15 bairros: Praia do Futuro, Mucuripe, Aldeota, Centro, Pirambu, Colônia, Barra do Ceará, João 23, Bom Sucesso, Siqueira, Edson Queiroz, Papicu, Antônio Bezerra, Messejana e Mondobim. A maior parte da frota circula das 4 horas da manhã à meia noite (após esse horário somente o corujão);
[26]Fortaleza tem atualmente sete terminais integrados (Antônio Bezerra, Papicu, Parangaba, Lagoa, Siqueira, Messejana e Conjunto Ceará) e dois terminais abertos (Coração de Jesus e Estação). Entre 2005 e 2006, quase 270 milhões de passageiros utilizaram o Sistema Integrado de Transporte – uma média de 900 mil usuários por dia. O Terminal do Papicu recebe o maior número de passageiros, quase 280 mil por dia. Realiza também o maior número de viagens, mais de três mil programadas diariamente.
[27] Em televisão, off significa a locução sobre as imagens;
[28] Ali, ele se depara com um dos seus maiores conflitos: o medo de se opor aos interesses do pai;
[29] Mais extenso que a maioria das reportagens de TV;
[30] Nesse caso, os atores populares são o motorista, cobrador e vendedor ambulante; e os sociais anônimos, todos os outros entrevistados (turistas, estudantes, trabalhadores, etc.);
[31] Uma mulher fala que sempre passa por esse tipo de constrangimento. No mesmo instante, um homem a interrompe alegando que também sofre assédio delas. Os dois começam uma ligeira discussão;
[32] Um vendedor ambulante diz sofrer preconceito por ser confundido com um pedinte;
[33] Apesar da flexibilidade, o roteiro serviu para direcionar as cenas e os depoimentos dando um sentido lógico ao documentário.
[34] Um senhor reclama da falta de educação da juventude. Um rapaz se defende dizendo que nem todos os jovens são iguais;
[35] Responsável pela manutenção do Sistema Integrado de Transporte de Fortaleza;
[36]No vídeo, a profundidade de campo é mais precária que o suporte fotoquímico (película). A partir de certo afastamento do Primeiro Plano, as figuras tendem a se desmaterializar confundindo-se com as reticulas. Além disso, na longa focal, qualquer tremor é revelado na imagem.
[37]Técnica que insere uma nova imagem, conservando o som original, em um outro plano, reduzindo assim a sua duração;
[38]Atualmente, é comum ver nos telejornais vídeos produzidos por amadores. Antes, essas produções eram descartadas por falta de qualidade técnica. Hoje, os vídeos caseiros são vistos com bons olhos pelos profissionais da área porque ajudam os noticiários a ganhar credibilidade junto à opinião pública;
[39]Ponto de vista de um personagem; Ex: Quando um passageiro sentado vê outro de baixo para cima;
[40]Organiza o material gravado dando sentido à obra;
[41] Efeito ótico que consiste no escurecimento da tela (fade in) ou no surgimento da imagem da tela escura (fade out);
[42]Um outro som utilizado é o toque da campainha do ônibus que entra em foco sempre para iniciar um novo assunto.

0 comentários:

Postar um comentário

 
Eduardo Girão | by TNB ©2010